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Efeito colateral nos laboratórios
IstoÉ Dinheiro
 

Protestos contra os testes de remédios em seres humanos jogam a indústria farmacêutica em mais uma crise. Só no Brasil 68 MIL PESSOAS participam dessas pesquisas.

Os executivos da indústria farmacêutica estão perdendo o sono e, ao que parece, pílulas para dormir não vão adiantar. Depois dos ferozes ataques do Peta (ONG que defende a ética no tratamento de animais) no fim do ano passado e da quebra de patentes de remédios por governos de países emergentes no primeiro semestre (Brasil, inclusive), a dor de cabeça mais recente veio na forma de ação judicial. A Nigéria está processando a Pfizer, maior grupo farmacêutico do mundo, em US$ 7 bilhões, por ter supostamente realizado testes clínicos ilegais há dez anos em 100 crianças do país, o que teria provocado mortes.

O caso inspirou o livro “O Jadineiro Fiel”, adaptado ao cinema pelo brasileiro Fernando Meirelles. Na terçafeira 31, foi a vez de a empresa entrar com sua própria ação contra o governo nigeriano. As bases do processo: o país teria sido parcial e injusto em seu relatório.

US$ 8,4 BILHÕES é quanto o mercado de testes clínicos movimenta no Brasil
“Negamos as alegações veementemente. Acreditamos que o estudo clínico foi conduzido com o conhecimento total do governo do país e de forma responsável e ética”, defende Bryant Haskins, diretor de relações com a mídia da Pfizer global, em entrevista à DINHEIRO.

Mas o que o caso da Nigéria tem a ver com o Brasil? Muito. Por aqui, o mercado de testes clínicos movimenta US$ 8,4 bilhões, segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). Foram 1.738 projetos enviados às instâncias regulatórias nacionais em 2006. Cerca de 68 mil pessoas estão diretamente envolvidas em pesquisas em todo o País. Nações emergentes tornaram- se atrativos para esse tipo de atividade. “Escândalos nos estudos até o final”, avalia Jorge Samaha, coordenador de pesquisa em ensaios clínicos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que regula o setor.

Do seu lado, as farmacêuticas defendem que episódios como o da Nigéria dificilmente se repetiriam aqui, já que é muito rígida a regulação da Anvisa. As universidades e centros de pesquisa de ponta espalhados por todo o País, que selecionam os pacientes e os levam às farmacêuticas, têm que passar pela aprovação de 549 comitês de ética aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). “Os órgãos têm uma postura muito interessante, que é pecar pelo excesso. Talvez, sejam mais criteriosos do que a FDA (“Food and Drug Administration”, a agência reguladora dos Estados Unidos)”, afirma Maurício Lima, diretor médico do Eli Lilly. Seu colega na Novartis acrescenta: “Investimos US$ 4,2 bilhões em pesquisas em 2006. E é um investimento de alto risco, pois, a cada cinco mil compostos pesquisados, só um vai para o mercado.
Não correríamos mais um risco, o de danificar nossa imagem”, diz André Feher, diretor médico do laboratório. A Pfizer, pivô da confusão na Nigéria, opta pelo modelo seguro no Brasil. “Não trabalhamos com pacientes. Procuramos centros de pesquisa e eles é que vão recrutar os voluntários”, conta João Fittipald

 

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